Vagando por essas bandas largas, de novo topo com outra figura de retórica apresentada por meio do vídeo, além da aliteração aí embaixo: a sinestesia.
A sinestesia é a "associação de duas ou mais sensações pertencentes a registros sensoriais diferentes. A utilização de tal figura de retórica permite a transposição de sensações, ou seja, a atribuição de determinadas impressões sensoriais a um sentido que não lhes corresponde. Por exemplo, na expressão 'aquela cor é gritante', a percepção visual (cor) como que é ouvida, processo que acentua a intensidade da mesma." [extraído do site excelente E-dicionário de Termos Literários: http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/S/sinestesia.htm ].
Então, encontrei por aí o "Terri Timely": é uma dupla de diretores (Ian Kibbey e Corey Creasey) que fazem curtas, comerciais, etc. No vídeo deles, Synesthesya apresentam com muita criatividade e cores esse conceito. Vejam só, menos de 5 minutos:
Não é muito criativo? Os irmãos tentam ouvir (ao tentar conectar o plug dos fones nos alimentos) o que é para ser degustado com o paladar. Mistura-se, assim, a audição e o paladar. O aparelho de som, que é para ser ouvido, emite objetos variados, cena para ser vista. Há o cruzamento da visão com a audição. Chique no úrtimo!
Bom, e como não poderia faltar, a literatura, não é? Uma sinestesia do Drummond:
Consolo na praia
Vamos, não chores. A infância está perdida. A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou. Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo. Não tentaste qualquer viagem. Não possuis carro, navio, terra. Mas tens um cão.
Algumas palavras duras, em voz mansa, te golpearam. Nunca, nunca cicatrizam. Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve. À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido. Mas virão outros.
Tudo somado, devias precipitar-te, de vez, nas águas. Estás nu na areia, no vento... Dorme, meu filho.