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Da utilidade
"Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes." (Marilena Chaui)
(enviado por Roseli)
Escrito por grupodomquixote às 10h54
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Vejam que preciosidade!
A palavra
Duas vezes foi criado o mundo: quando passou do nada para o existente; e quando, alçado a um plano mais sutil, fez-se a palavra. O caos, portanto, não cessou com o aparecimento do universo; mas quando a consciência do homem, nomeando o criado, recriando-o portanto, separou, ordenou, uniu. A palavra, porém, não é o símbolo ou reflexo do que significa, função servil, e sim o seu espírito, o sopro na argila. Uma coisa não existe realmente enquanto não nomeada: então, investe-se da palavra que a ilumina e, logrando identidade, adquire igualmente estabilidade. Porque nenhum gêmeo é igual a outro; só o nome gêmeo é realmente idêntico ao nome gêmeo. Assim, gêmea inumerável de si mesma, a palavra é o que permanece, é o centro, é a invariante, não se contagiando da flutuação que a circunda e salvando o expresso das transformações que acabariam por negá-lo. Evocadora a ponto de um lugar, um reino, jamais desaparecer de todo, enquanto subsistir o nome que os designou (Byblos, Carthago, Suméria), a palavra, sendo o espírito do que ─ ainda que só imaginariamente ─ existe, permanece ainda, por incorruptível, como o esplendor do que foi, podendo, mesmo transmigrada, mesmo esquecida, ser reintegrada em sua original clareza. Distingue, fixa, ordena e recria: ei-la.
LINS, Osman. Nove, novena. 4ª. ed. São Paulo: Cia. das Letras, 1994, p. 98.
(enviado por Menalton)
Escrito por grupodomquixote às 13h00
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Mergulho
Uma mulher mergulhou em mim lá pelo meio da noite. Acordei repleta e ensopada. Ela se atirou sem medo em minhas águas. Confessou: um pouco atrasada. E se imbuiu de mares e se tingiu das cores dos peixes e das algas. E soltou seus cabelos. Exibiu sua nudez, sem pejo e sem vexame. E decretou novo estado de prazer e lucidez.
(Mariza Helena Ribeiro Facci Ruiz www.jperegrino.com.br)
Escrito por grupodomquixote às 17h21
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